quarta-feira, 1 de abril de 2026


No último dia de aulas antes da interrupção da Páscoa, a escola viveu um daqueles momentos raros em que tudo parece alinhar-se: a energia dos alunos, o empenho dos professores e o sentido coletivo de comunidade.

Logo pela manhã, os alunos chegaram cedo, não por obrigação, mas pela expectativa. Foram acolhidos pelos seus professores nas salas ou no polivalente, que rapidamente se transformou num espaço de encontro, organização e ponto de partida para um dia fora da rotina. Apresentados os roteiros, percebido o funcionamento, começou a circulação e com ela, a descoberta.

Para os alunos do 9.º ano, a passagem pela mostra do ensino secundário revelou-se particularmente marcante. Entre escolas e instituições de oferta formativa diversificada, abriram-se horizontes. Para muitos, foi o primeiro contacto com possibilidades concretas de futuro. E isso viu-se: no entusiasmo, nas perguntas, na curiosidade genuína de quem começa a perceber que o caminho se constrói com escolhas.

Mas a escola não se fez apenas de futuro, fez-se, sobretudo, de presente vivido intensamente.

Ao longo do dia, os espaços foram ganhando vida própria. Houve exposições que cruzaram arte e cultura, jogos que desafiaram o conhecimento e a cooperação, atividades que promoveram o contacto com outras línguas e realidades. A música ecoou como pano de fundo constante, ora organizada, ora espontânea, dando ritmo ao ambiente escolar.

O desporto trouxe movimento e alegria, lembrando-nos que aprender também passa pelo corpo. As iniciativas solidárias e de partilha, como a troca de bens, reforçaram valores essenciais. As atividades ligadas à sustentabilidade, desde a reutilização de materiais à reflexão ambiental, deram corpo ao tema aglutinador do dia: “Cuidar: de mim, do outro, do mundo”.

Também as áreas científicas e tecnológicas marcaram presença, com desafios que apelaram ao pensamento crítico, à resolução de problemas e à consciência do mundo que habitamos. E, como não poderia deixar de ser, houve espaço para a criatividade prática, da culinária aos projetos manuais, onde aprender se fez com as mãos, com o erro e com a tentativa.

Não foi apenas um conjunto de atividades. Foi, acima de tudo, uma escola em movimento.

Uma escola que ensina, mas também escuta. Que orienta, mas também desafia. Que se organiza, mas que sabe, quando é preciso, abrir espaço ao inesperado.

No final do dia, ficou a sensação clara de que todos ganharam. Porque aprender não é apenas cumprir um programa, é viver experiências que ficam, que marcam, que ajudam a crescer.

São dias assim que reforçam a convicção de que vale a pena continuar a investir numa escola mais aberta, mais participada e mais significativa. Uma escola onde cuidar, de nós, dos outros e do mundo, deixa de ser apenas um tema e passa a ser uma prática.

A todos os que tornaram este dia possível, professores, assistentes operacionais e alunos, fica um agradecimento sentido. Pelo empenho, pela dedicação e, sobretudo, pela forma como deram vida à escola.

Porque, no fim, é disto que se trata: dar sentido ao que fazemos, todos os dias.