Homenagem ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
No âmbito da celebração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do
Holocausto, assinalado a 27 de janeiro, as disciplinas de História e de
Cidadania e Desenvolvimento, em parceria com a Rádio Escola e a Biblioteca
Escolar, promoveram diversas atividades para os diferentes anos letivos, na
EB Soares dos Reis.
As turmas de 6.º ano, inspirando-se na história de Anne Frank, tiveram a oportunidade de “escrever” uma página do seu diário. A proposta consistia em imaginar que, tal como Anne Frank, eram obrigados a esconder-se. No seu diário, deveriam descrever o esconderijo, as razões de estarem escondidos e o seu dia a dia neste contexto.
As turmas do 6.º F e 6.º G participaram ativamente na atividade, elaborando, cada uma das turmas, um texto coletivo que reflete esperança, criatividade e a compreensão do difícil período histórico que marcou o mundo.
Meu querido diário,
O meu esconderijo fica no sótão da casa dos meus avós. É um espaço pequeno, com pouca luz e uma janela muito alta. Há uma cama simples, uma mesa de madeira e uma caixa onde guardo os meus poucos pertences. Temos de falar muito baixo e não podemos fazer barulho para ninguém desconfiar que estamos ali. Escondi-me porque havia pessoas perigosas na rua e outras estavam a ser perseguidas, por isso não era seguro sair de casa. Eu e a minha família tínhamos medo de sermos separados ou magoados, esta foi a única forma de nos protegermos. Passo os meus dias a ler livros, escrever num diário e, às vezes, a desenhar. Sinto saudades da escola e dos meus amigos, mas tento ser corajosa e manter a esperança. Mesmo num lugar pequeno e em silêncio, continuo a sonhar com o dia em que tudo volte ao normal.
Turma do 6.ºF
Meu querido diário,
A cada dia que passa sinto mais medo de ser descoberta. Tento ser forte, mas nem sempre é fácil. Durante o dia, o tempo passa devagar. É uma mistura de pensar na vida, estudar e ficar sempre atenta a qualquer barulho. À noite, sinto-me ainda mais ansiosa e muito sozinha. A situação está a piorar. Desconfio que um dos funcionários que nos ajuda pode estar a trair-nos, e isso deixa-me com ainda mais medo. Estamos escondidos num bunker e só temos comida para um mês. Tento não pensar muito nisso, mas é difícil. O meu maior medo é ser levada para um campo de concentração. Só de imaginar, fico com o coração apertado. Aqui onde estou sinto-me um pouco apertada, mas pelo menos tenho um lugar para me proteger. Das 8h às 18h não posso fazer barulho nenhum. Sou como uma estátua. O cheiro da comida podia denunciar-nos, por isso temos muito cuidado. Passo o tempo a ler livros e a escrever, o que me ajuda a esquecer um pouco o medo. À noite, ligo o rádio clandestino por alguns minutos, à procura de notícias e sinais de resistência. Isso dá-me um pouco de esperança. Ainda continuo aqui. Espero, do fundo do coração, conseguir sobreviver até ao fim deste pesadelo.
Turma do 6.ºG
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