sábado, 29 de novembro de 2025

 (Des)Influencers: Uma conversa necessária

Nos dias 26 e 28 de novembro, a nossa escola recebeu a equipa da Faculdade de Letras liderada pela professora Sara Tavares, acompanhada por duas das suas alunas universitárias. No dia 26, apresentaram aos alunos do 6.º e do 7.º ano a palestra “(Des)Influencers”, dedicada às redes sociais, aos conflitos digitais e aos desafios que hoje se colocam aos jovens e, claro, também aos pais e professores.

Já no dia 28, pelas 21h00, foi a vez das famílias. Contra todas as probabilidades, afinal, era sexta-feira de um fim de semana prolongado, a sala encheu com um grupo de pais numeroso e muito participativo. Um verdadeiro luxo nos tempos que correm.

A apresentação foi direta, clara e sem “paninhos quentes". A professora Sara e as suas alunas prenderam a atenção de todos desde o primeiro minuto. Exemplos reais, linguagem acessível, sentido crítico e uma honestidade desarmante fizeram com que ninguém se atrevesse a desviar o olhar. Não era uma palestra para “passar o tempo”; era um murro suave, mas certeiro, na consciência de todos nós.

Falo também como pai. Apesar de me considerar informado e de lidar diariamente com jovens, fui surpreendido por várias situações que desconhecia por completo. Umas preocupantes, outras verdadeiramente inquietantes. Percebi, com alguma humildade, que a velocidade a que tudo muda no mundo digital ultrapassa até quem julga estar atento.

Observei, como já é meu hábito profissional, as reações dos pais:
– Alguns mostraram-se visivelmente assustados, talvez porque se reconheceram em alguns exemplos.
– Outros demonstraram preocupação, mas mantiveram uma certa distância emocional, confiantes de que em casa “fazem o que é preciso” e que, por isso, os seus filhos estarão protegidos.

Mas não era esse o propósito da sessão. O objetivo nunca foi criar pânico, muito menos apontar dedos. A intenção foi simples e necessária: alertar. Mostrar que existe um problema real, crescente, complexo e que só pode ser enfrentado com atenção, diálogo e responsabilidade partilhada.

Cabe aos pais garantir em casa um ambiente de confiança, onde os filhos sintam que podem falar sobre o que vivem online, sem medo de julgamentos ou castigos desproporcionados. Atenção: isto não significa invadir a privacidade das crianças, mas sim estar presente, disponível e informado.

A professora Sara deixou-nos uma mensagem importante e que merece ser sublinhada:

Por mais atentos e competentes que sejam os pais e os professores, a influência da sociedade, com tudo o que tem de bom e de mau, é hoje maior do que nunca. E é sobre estes jovens, especialmente os pré-adolescentes e adolescentes, que esse impacto se faz sentir com mais força.

Por isso, mais do que nunca, educar tem de ser um esforço coletivo. Escola, família e comunidade precisam de remar para o mesmo lado. Como alguém já disse, “para educar uma criança é preciso uma aldeia inteira”. E nenhuma aldeia pode dormir enquanto o mundo lá fora corre tão depressa.

Fernando Ferreira

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